quinta-feira, 1 de junho de 2017

"SANTANA"

Joaquim SANTANA da Silva Guimarães

(22 de Março 1936 - 24 Abril 1989)



Natural da cidade do Lobito, distrito de Benguela, Angola, foi, no entanto, no Sport Clube de Catumbela que Santana fez a sua formação.
O virtuosismo do futebol apresentado despertou a atenção dos responsáveis do Benfica, clube que o recebeu em 1954. Mas não chegou só. Acompanhou-o Daniel Chipenda, que vinha com o propósito de conciliar o futebol com os estudos. Chipenda estreou-se com o emblema da águia ao peito na vitória sobre o Atlético, na Tapadinha, por 5-0 (época 56/57). Dois dos golos foram da sua autoria. Anos mais tarde, já depois de ter servido a Académica, iria tornar-se, como militante anti-colonialista, guerrilheiro destacado nas lutas pela independência de Angola. 
A propósito, um episódio curioso, extraído das Publicações D. Quixote:
«...Daniel Chipenda, na cidade dos estudantes, andava já amanhado com o MPLA e teve uma surpresa: ao chegar de Amesterdão, após a épica vitória do Benfica perante o Real Madrid, por 5-3, no jogo da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus (1962), Santana foi visitar o colega a Coimbra. Fizeram festa na República dos Milionários. Quando regressaram ao quarto disseram-lhes que tinha havido telefonema. Pensaram que era complicação. Meteram-se imediatamente no carro de Santana e partiram para Lisboa. Lá, descobriram que tinha sido o irmão de Chipenda a dizer que chegara de Angola. 
Mesmo assim, Daniel decidiu que o melhor era já não voltar a Coimbra.
A caminho da Figueira, a PIDE mandou parar o Fiat de Santana. Ele que nunca levava nada a sério, gritou-lhes: "Vocês sabem quem eu sou? Sou bi-campeão europeu, portanto identifiquem-se!"
Ficaram várias horas a torrar dentro do carro, sob prisão.
Nesse período de tempo, outra Brigada havia largado para o Lar do Jogador. Entraram de rompante no quarto de Santana, vasculharam tudo mas não encontraram nada. No entanto, dispararam vários tiros para o colchão, esfarelando-o, explicando que poderia estar lá o que buscavam.
Assim sendo, Santana foi solto. Chipenda, não. Foi parar aos calabouços.
Só depois de manifestação de estudantes, exigindo a sua libertação, a PIDE cedeu. Quando saiu da cadeia, Chipenda pediu que o mandassem para a tropa em Angola, mas "nessa" eles não caíram».
Com apenas 18 anos de idade, Santana jogou as duas primeiras temporadas nos aspirantes e juniores  encarnados. Nesta última categoria foi campeão nacional, passando a integrar  o plantel principal a partir da época 56/57, sob orientação do carismático Otto Glória. 
Campanha de grande esplendor benfiquista. O clube da "Luz" sagrou-se campeão nacional, conquistou a Taça de Portugal e foi finalista vencido da Taça Latina, ante o Real Madrid.
De fraco porte atlético, franzininho (1,72 mts de altura e 68 kgs de peso - só o bigode, que sempre preservou, lhe dava um ar mais maduro), mesmo hábil e com tiques de craque, o "menino" Santana teve dificuldades de adaptação, sendo apenas utilizado uma vez pelo técnico brasileiro, no decorrer da 6ª jornada (21 de Outubro de 1956), ante o Caldas, opositor que saiu derrotado por 1-0.




Nas épocas seguintes o cenário não mudou muito para o "molengão de Catumbela", assim alcunhado pelos colegas de ofício.
A própria equipa perdera o fulgor de tempos áureos e seria ultrapassada pelos rivais Sporting e Porto.
Surpreendentemente, ou talvez não, viria a "explodir" na época 59/60, já sob o comando do "feiticeiro" Belá Guttman, ficando ligado aos maiores feitos internacionais do clube encarnado, sobretudo a mítica final de Berna, Suíça, no Estádio Wankdorf (23 de Maio de 1961), com a conquista da primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus. O distinto opositor, Barcelona, saiu derrotado por 3-2, na noite que catapultou Santana para o estrelato.


Coluna, José Águas e Santana com a Taça dos Clubes Campeões Europeus

Para a Selecção Nacional, que representou por cinco vezes. A 1ª internacionalização aconteceu no dia 8 de Maio de 1960, no Estádio Nacional. A fortíssima selecção da Jugoslávia foi suplantada por 2-1, com golos de Santana (não esperou muito tempo para fazer o gosto ao pé) e Matateu.
Com  a vinda de Eusébio, Santana perdeu o estatuto de titular indiscutível e a partir de 64/65 a sua influência na equipa quase que desapareceu. Por lá ficou, no entanto, até 67/68, realizando o último jogo com o emblema da águia ao peito em 24 de Março de 1968, na "Luz" contra a Sanjoanense.
Ao serviço do Benfica, como sénior, em provas  oficiais internas, Santana conquistou sete campeonatos nacionais e duas Taças de Portugal. Sagrou-se, igualmente, bi-campeão europeu. Um registo fantástico.
Propalava-se, em surdina, que apoiava movimentos de libertação angolanos. "Espiado" e incomodado pela PIDE, foi "despachado", mas continuou a vestir de "vermelho", agora ao serviço do Salgueiros.
Foi então que apareceu o Freamunde.
Depois do título distrital conquistado na época 69/70, sob o comando de Rola, a recém nomeada direcção do clube do "Carvalhal" sentiu que era tempo também de viragem no comando técnico, necessidade de incutir emoção ao projecto idealizado, tentando, completamente obcecada, cega, num golpe de audácia, a contratação para treinador/jogador de Joaquim Santana. Era uma forma de injectar doses de paixão e qualidade que muitos diziam faltar.
Não foi fácil esta aposta por alguma renitência inicial do técnico, apenas convencido no final de um jogo de carácter particular, Freamunde/Fafe, integrado na festa de homenagem a "Barbosa", que os "azuis" venceram por 5-3, após fantástica exibição do seu quarteto maravilha de dianteiros: Couto, Abel, Venâncio e Ernesto.
Fafe, curiosamente, agremiação desportiva presidida pelo freamundense, Eng. Hercílio Valente, antigo guarda-redes da equipa "azul e branca", e que também estava interessada nos préstimos de Santana.
Ciente de que o plantel lhe daria todas as garantias, Santana não olhou para trás e de imediato pôs o "preto no branco".
O Freamunde - já possuía alguma "hegemonia" mas pouco dinheiro - acabava por abrir os cordões à bolsa e fazer um dos maiores investimentos da sua história.
O contrato, "das arábias", implicava o dispêndio anual de 106.000$00 (um terço, aproximadamente, do orçamento global), assim distribuído: 
Prémio de assinatura: 40.000$00
Remuneração mensal: 5.500$00
Uma loucura para os tempos que corriam!
Anos atrás, em 1962, por exemplo, ao serviço do Benfica, as verbas envolvidas na renovação de contrato pouco diferiam: 50.000$00 de luvas e 4.000$00 de remuneração mensal mais os respectivos prémios. Só Coluna e Eusébio estavam noutra dimensão.
A notícia, contudo, ainda não tinha "saltado" para o exterior. Só os directores eram conhecedores.
Nas "tertúlias", sobretudo nas imediações do Café Popular, propriedade do Américo "Caixa", bem perto do "Cruzeiro", ninguém acreditava! - Contrataram o Santana?... O ex-jogador do Benfica, bi-campeão europeu e internacional pela nossa Selecção?...Não, não pode ser!... 
Mas foi. O encanto pelo "angolano" tornara-se irresistível e a ideia foi avante.


Acto de assinatura do contrato

Santana surgiu como o novo rosto do futebol em Freamunde, Vila que "abraçou" e onde encontrou de novo a felicidade. Onde viveu com a mulher, Manuela, e criou os filhos, Paula e Joaquim.
Santana trouxe padrões muito próprios de organização e treinos de alguma intensidade física. Mas logo se resignou. A rapaziada era totalmente amadora, só podia treinar duas vezes por semana e alguns métodos foram irreversivelmente alterados. Mesmo assim, os primeiros passos foram dados definitivamente para a frente.
A própria "revolução" no futebol local começou no dia em que Santana proibiu, fosse quem fosse, de "invadir" o balneário em dia de jogo, como até aí era apanágio de certos "dirigentes". De convicções fortes não dava ouvidos - ou dava? - aos treinadores de bancada. Intransigente, preservou e blindou o grupo contra os "índios" do costume. Mudavam-se as mentalidades.
Sem ambições desmedidas, o ambiente era contagiante. Nunca se vira nada igual. Alguns treinos pareciam jogos, tantos os "curiosos" em volta do pelado.
Santana pegava na batuta  e afinava a orquestra. Além de "maestro" também "executava" com carícia.
Quando o vi pôr o pé numa bola pela primeira vez fiquei boquiaberto. Fascinado.
Ainda me lembro de uma aposta que Santana combinou, antes de um treino, com os jogadores presentes, sobretudo com Miguel, guarda-redes: fazer dez remates com a bola no chão, em cima da linha de grande área, e conseguir acertar dez vezes na trave da baliza. Resultado: dez tentativas, dez bolas na trave.
Toda a gente ficou pasmada a interrogar-se como seria possível uma coisa daquelas. Pois!...
Santana representava o jogador completo: à mestria da técnica aliava a elegância no jogar.
Mas, raios!, não ria, não chorava, pouco falava. Parecia tímido... Talvez homem de sangue gelado mas o coração bombeava futebol.
O campeonato da 3ª divisão Nacional estava à porta.
O capricho do sorteio determinou que visitássemos Viana do Castelo, cidade de rara beleza e acolhedora.
O plantel, desfalcado de Ernesto, mobilizado para o ultramar (baixa de vulto), dava garantias.
Os freamundenses acreditavam. Tanto assim que das 3.000 pessoas que se acomodavam em volta do terreno de jogo, 2.000 eram de Freamunde. O tempo estava solarengo, convidativo ao passeio. As camionetas - cerca de 50! - foram pejadas de adeptos. Pela estrada viam-se dezenas de automóveis, todos eles sem espaço para quem quer que fosse, com bandeiras tremulando ao vento. A "princesa" vestiu-se de azul, mas de Freamunde.
Na nossa Vila só restavam velhos e crianças. No Quartel dos Bombeiros implorava-se: oxalá não toque a sirene para incêndio ou acidentes!
É que "voluntários"... nem vê-los! Estavam todos para Viana.
O Freamunde ganhou por 1-0. O "mister" Santana deu o exemplo, facturando o golo da justa vitória que levou ao rubro a imensa mole humana.


70/71 - Em cima: Miguel, Ribeiro, Alves, Júlio "Guerra", Domingos "Faria" e SANTANA
Em baixo: Daniel Barbosa, Martinho, Augusto, Venâncio e Jacinto

Dos 42 golos apontados pela equipa, 9 pertenceram a Santana. 
E por cá continuou.
No final da época 71/72, Santana foi alvo de uma singela homenagem.
Convidado o Sport Lisboa e Benfica - logo confirmaram a presença dada a consideração de que era credor o seu antigo jogador - o "espectáculo estava garantido". Nem mais.




Do livro "Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória", alguns fragmentos da "festa": «... Os lisboetas fizeram-se representar com um "misto" em virtude dos seus principais atletas se encontrarem no Brasil, ao serviço da selecção nacional, no Mundialito.
O "aparato" começou bem cedo. Afinal, sempre era o "grande" Benfica que nos dava o prazer da sua visita.
A delegação encarnada foi recebida à saída de Seroa por um cortejo de carros e outros veículos motorizados. Muitos foguetes troavam no ar. Seguiu-se paragem em Frazão onde o simpatizante encarnado, Manuel Coelho de Sousa, distribuiu uma rosca de pão-de-ló a cada um dos elementos da comitiva.
O "Carvalhal" rebentava pelas costuras.
O encontro aproximava-se do seu início e cá fora ainda se vendiam bilhetes. Simões, de braço ao peito, com blocos de ingresso na mão, "ajudava" o seu ex-companheiro de tantas tardes e noites de glória.
Com as equipas perfiladas, ouviu-se o "elogio" a Santana nas vozes do conceituado jornalista Álvaro Braga e do freamundense Fernando Santos, oradores incomparáveis, possuidores de uma fluência e de uma riqueza de imagem admiráveis.
O homenageado foi alvo de muitas manifestações de carinho e apreço. Da directoria benfiquista foi-lhe ofertada uma águia d'ouro.
Depois seguiu-se o tão ansiado jogo de futebol entre o Freamunde e o Benfica, arbitrado por Américo Borges.


Hermínio Pinto, representante dos benfiquistas de Freamunde, e prof. Alfredo Barros, presidente da Junta de Freguesia, entregam várias lembranças ao capitão encarnado, Malta da Silva


Equipa do Freamunde que defrontou o Benfica e respectivos dirigentes
Em cima: Miguel, Ribeiro, Fernando Viana, Jacinto (jogador do F.C. Porto), Fernando  Sousa Ribeiro, Abílio Ribeiro Gomes, António Silva Alves,  Rui Magalhães "Guitú", Abílio Freire
Em baixo: Rolando (jogador do F.C. Porto), Justino "Guerra", SANTANA, Couto, Ernesto, Jaime Gomes, Fernando Moreira e Yaúca (jogador do Lourosa. Yaúca também representou o Benfica e era conterrâneo de Santana pois nasceu em Catumbela.


Equipa do Benfica que defrontou o Freamunde
Em cima: Dirigente do Benfica (?), Malta da Silva, Barros, simpatizante do Benfica , Rui Rodrigues, Victor Martins e Zeca
Em baixo: Eurico, menino simpatizante do Benfica (?), Franque, Diamantino, Carlos Pereira, João Alves e Fonseca. 

Venceu o Benfica por 1-0, com golo de Carlos Pereira, mas o Freamunde deu réplica condigna valorizando o espectáculo.
... Mais tarde, já o capitão da equipa encarnada, Malta da Silva, havia recebido das mãos do Vice Presidente da Câmara, a taça "António da Silva Alves", num ambiente acalorado, foi servido, na "Quinta do Monte", um primoroso copo d'água. Marcaram presença os atletas das duas formações e respectivos dirigentes, várias personalidades da edilidade local e concelhia e outras individualidades.
Foi uma festa bonita, sem dúvida».


72/73 - Em Cima: Miguel, Ribeiro, Domingos "Faria", Albino, Justino "Guerra" e Alves
Em baixo: Martinho, SANTANA, Fernando Viana, Ernesto e Couto.

Em 73/74, Santana, pela quarta vez consecutiva, aceita de novo o cargo de timoneiro da "nau" azul, mas com contrato melhorado. A remuneração mensal passou a ser de 10.000$00.
No entanto, esteve "tremido" o acordo, pois, Santana, apenas desejava enveredar pela carreira de treinador. Tal desiderato não ia de encontro às pretensões dos dirigentes do Freamunde que o desejavam igualmente como jogador.


73/74 - Em Cima: Miguel, Júlio "Guerra", Luís Afonso, Domingos "Faria", Quim, João, Jacinto e Manuel "Frita"
Em baixo: Ribeiro, SANTANA, Justino "Guerra", Abel, Andrade, Pinto, Ernesto e Martinho.

Mas..., em 74/75, já a "revolução" havia chegado, também, ao futebol, Santana foi "pregar para outra freguesia", aliciado por um contrato extremamente vantajoso do ponto de vista financeiro. Pendurou definitivamente as chuteiras, passando a exercer apenas e só o cargo de timoneiro principal.
Sucedeu-lhe, no mandato de Agostinho Ferreira Leal, o vila-realense, Amaral, com as mesmas funções do seu antecessor: treinador/jogador.
Apenas por uma temporada. Santana regressava para a época 75/76. Estava de novo nas "suas quintas". Afinal, sempre era aqui que vivia... Gostava disto... Gostava do Clube... Nós gostávamos dele... E agradecemos-lhe por ter tomado essa decisão.


75/76 - Em cima: Manuel "Frita", José Maria Viana, Júlio "Guerra", Justino "Guerra", Luís Afonso, Alves, Jorge Regadas, Miguel e SANTANA (Treinador)
Em baixo: Martinho, Sacramento, Fernando Viana, Daniel Barbosa, Laurindo, Ernesto e Quim.

75/76 - SANTANA, na equipa de "Velhas Guardas" do Freamunde
Em cima: Fernando "Passareca", Zulmiro, Moreira, Albino "Loreira", Luís "Mirra", Joaquim Costa, Humberto, Henrique Costa e Alfredo "Careca".
Em baixo: António Andrade, SANTANA, Antonino, José Maria "do Talho", Alexandrino "Marrana", Vitorino e Arnaldo.


Mas o vil metal, sempre o vil metal!, voltou a falar mais alto e Santana deixou-se seduzir pelos encantos da "sereia" e rumou ao "mar" de Vila do Conde, a troco de muito, muito mais dinheiro. Para ser campeão pelo Rio Ave.
E por "fora" andou durante vários anos. Liderou, além dos vilacondenses, Régua, Leça, Paredes...
Até que, já na segunda volta do campeonato de 84/85, sob presidência de Francisco Ribeiro de Carvalho (Zeca, vítima dos fantasmas do passado, que tinham regressado e em força, viu-se despedido do comando técnico), Santana voltou a "pegar" na equipa, levando-a à discussão do título da 2ª Divisão Nacional, perdido no derradeiro encontro, em Paredes, jogo envolvido em enorme polémica. 


84/85 - Em cima: Armindo, Fangueiro, Jorge Regadas, Dé, Baptista e Guilherme
Em baixo: Américo, Cassanga, Pedro Taborda (filho de Guilherme), Lamas, Abel e Sacramento.

Tudo parecia um mar de rosas, mas não. Nova época, problemas antigos. Com Armando Teles Menezes de novo ao leme da directoria, acabou o estado de graça de Santana. As "coisas" não estavam a correr bem, ondas de conflito que não amainavam, e, a poucas jornadas do fim, rolaram cabeças. No comando técnico houve troca de Santanas: Joaquim deu lugar a Abílio, ex-treinador de Moreirense e Joane.
Um "emissário" trouxe-lhe a notícia do despedimento. Assim mesmo! Consideravam-no ultrapassado, improdutivo... A dignidade obrigou-o a prescindir dos "direitos" e desligou-se do clube. Foi, surpreendentemente, para o "rival" Lixa. Para ser campeão de série. É verdade! Afinal, onde estava a... improdutividade?
Curiosamente, o Freamunde, com o empate a uma bola alcançado no "Carvalhal", ante o Ermesinde, no derradeiro jogo, posicionou-se logo a seguir, também ascendendo a divisão superior.
Em suma: Joaquim Santana subiu duas equipas na mesma temporada. É obra!


85/86

Santana voltou ao Régua para, aí, terminar a carreira de treinador.
Santana, sempre de olho nos novos talentos que iam surgindo, lutou, também como orientador (até à sua primeira saída do clube azul e branco),  pela propaganda e melhoria técnica do futebol juvenil do Sport Clube de Freamunde, criando uma "escola" de fazer inveja. 


72/73 - Equipa de Juvenis do Freamunde sob orientação de SANTANA
Em Cima: Lobo, Abílio Viana, António "Fifa", João Costa, Jorge Regadas e Moura
Em baixo: Velhinha, Laurindo, Dias, Sacramento e Armando Lobo.

Santana, "raposa" astuta, remodelou a vinha e os "cachos" amadureceram rapidamente. Lançou precocemente às "feras", sem pestanejar, jovens com dezasseis e dezassete anos. Andrade, Sacramento, Jorge Regadas, Laurindo..., foram alguns a quem, tal como o pedreiro, limou-lhes arestas mas não conseguiu, a este ou àquele, limpar-lhes a cabeça.
Da sua vida privada, das suas aventuras extra-futebol poucos tiveram acesso. Talvez só Humberto e Ernesto. Santana gostava de privar com Humberto e de conversar com Ernesto sobre temas nada ingénuos, ainda antes do 25 de Abril de 1974.
Santana, aos  53 anos de idade, foi derrotado no jogo da vida. Uma luta desigual, durante três meses, à qual não pôde resistir.
Santana, já era um dos "nossos". Tinha assentada arraiais nesta terra em 1970, e por cá ficou a morar durante dezoito anos. 
A notícia, a frio, da sua morte, cruel mas nem por isso inesperada - sabíamos que estava gravemente adoentado -, deixou-nos, mesmo assim, chocados, sem palavras.
Os freamundenses despediram-se do amigo em silêncio. Em silêncio que falava por si e comovia.
O corpo, acompanhado por grande multidão a pé, até à saída da Vila, foi a sepultar no cemitério do S. L. e Benfica, em Lisboa. 



Fotos de "Cherina", publicadas no jornal "Fredemundus"

Santana saiu do nosso convívio, mas não da nossa lembrança, nem da recordação da sociedade freamundense que o saberá venerar. Sempre.