José Pereira BARBOSA
Nascido no dia 15 de Fevereiro de 1935, o percurso do "central" do S.C. Freamunde conta-se em meia dúzia de palavras: anos a fio passados com a mesma camisola azul. Do lado esquerdo uma braçadeira de capitão.
Parece lenda a vida do atleta perfeito que foi Barbosa. Não é. Não há ponta de exagero. Campeão no futebol, campeão na vida. Vida recatada (sempre junto dos "seus". Ana Brasina, a mulher que escolheu para eterna companheira, deu-lhe 9 filhos), sem vícios mas de trabalho "duro" , por vezes de sacrifício...
Iniciou-se cedo no "ganha-pão", como metalúrgico, de início na Albar e depois na Luteme. Não é de estranhar que tenha prolongado a actividade desportiva até aos 36 anos, sem quebra de forças.
O futebol cedo se tornou obsessão. Primeiro, despiques na rua, com os meninos do lugar. No largo da Feira... Já espigadote, destaca-se nos jogos infantis, denominados de "Norte e Sul". Os pequenos atletas possuíam camisolas, calções..., os próprios guarda-redes apresentavam-se de boné e joelheiras. Tudo como os "grandes". Menos "chuteiras". Por isso, jogavam... de pé descalço. A catraiada mostrava-se no palco do "Carvalhal", perante inúmeros admiradores.
Tempos após, de "pedra e cal" na primeira equipa de Juniores, entretanto formada, sob comando de Zeca "Mirra", corria a época 1953/1954. O título de campeões de série foi a cereja no topo do bolo. Estavam, assim, lançadas as sementes do departamento de formação do clube azul e branco.
Curiosamente, nessa mesmo temporada, o "menino" Barbosa, recrutado aos Juniores, foi lançado nos Seniores pelo treinador António Araújo, na recepção ao Amarante, marcando o solitário golo da vitória freamundense. Melhor estreia era impossível.
Sem pestanejar, o novo timoneiro da equipa principal do clube, Jacinto Mestre, tornou-o figura imprescindível do "onze", situação que se prolongou até ao final de carreira.
Seguro de si, forte nas convicções, Barbosa era exigente consigo mesmo: o espelho da disciplina, da vontade firme de jogar, lutar, sofrer e vencer. Com lealdade, sem grandes vaidades.
Nunca lhe faltou coragem de enfrentar e afrontar os rivais, sobretudo o Vasco da Gama, agora Futebol Clube de Paços de Ferreira, com quem nunca perdeu. Sequer empatou.
No "derby" de 58/59, em Freamunde, ganho pelos "azuis" por 4-2, Barbosa acabaria por ser o "herói" da partida. Dois golos apontados com o braço fracturado amarrado ao peito, nem ao diabo lembrava.
Mas do Zé Barbosa tudo era de esperar. Humilde rapaz, rijo, de antes quebrar que torcer, não parava nunca de incentivar os colegas, vivendo o futebol como uma festa, sem dramatismos.
Era um futebolista brioso, de ar tímido mas alegre, quase inocente, honesto, correcto, educado, de um amor à camisola insuperável, difícil nos tempos que correm.
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| 58/59 (Festa do "título") |
Pois é! Outros tempos!
Tempos em que, por exemplo (mas alguém vai acreditar nisto?! Pois podem crer que foi verdade), Barbosa, no dia do seu casamento - curiosamente festejava o aniversário do seu nascimento - , ausentou-se da mesa no decorrer da boda e foi ajudar os seus colegas no encontro caseiro com o Valadares, ganho pelo Freamunde por 4-0. Três golos foram da sua autoria e o outro de Ivo.
O Freamunde acabaria campeão distrital da II Divisão. Barbosa, mesmo atleta do sector recuado, acabou a época com 10 golos apontados. É obra.
Barbosa jamais guardou rancor a quem quer que fosse. Daquele "naipe" que nunca faltou ao respeito a ninguém. Creio que nunca viu a face do mal.
Barbosa foi um dos expoentes máximos do verdadeiro freamundense, de gente que só conheceu uma bandeira - a do seu clube - e que só tinha um culto - da lealdade desportiva.
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Época 63/64
Em cima: Quintela, Zulmiro, Zé Manel, Luís "Mirra", Ribeiro e BARBOSA
Em baixo: Vitorino, Ivo, João Taipa, Humberto e Júlio
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Época 66/67
Em Cima: Manuel "Frita", BARBOSA, Luís "Mirra", Albino "Malapeiro", Ribeiro, Jacinto, Domingos "Faria" e Quintela
Em baixo: Quim, Venâncio, Martinho, Alcino, Xile e Justino "Guerra" |
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Época 68/69
Em cima: Miguel, Ribeiro, Júlio "Guerra", BARBOSA, Xile, Albino "Malapeiro" e Rola (Treinador)
Em baixo: Humberto, Fernando Viana, Venâncio, Augusto "do Américo" e Ernesto |
Disputou cerca de 500 jogos oficiais sem que lhe tivesse sido imposto qualquer castigo. A Associação de Futebol do Porto não foi insensível a tal facto atribuindo-lhe, muito justamente, a medalha de mérito desportivo.
Barbosa, como não podia deixar de ser, foi alvo de merecida homenagem promovida pela direcção do S.C.Freamunde.
O programa da "festinha", bonita, foi preenchido com dois jogos: S. Martinho do Campo/S.C. Campo (Valongo) "2-3" e Freamunde/Fafe "5-3".
José Pereira Barbosa deixou o futebol mas só quando o bilhete de identidade se divorciou com a disponibilidade física. Santana foi o seu último treinador. Corria a época 70/71.
Disputou o último jogo no campo do Lamego (23 de Maio de 1971), clube que saiu vencedor por 1-0. O Freamunde acabou classificado no 4º lugar da sua série do campeonato nacional da III divisão nacional, prova ganha pelo Gil Vicente.
Mas, mesmo assim, o clube não podia prescindir de pessoas com as qualidades demonstradas por tão grande personalidade.
No Departamento de Formação (antigamente chamava-se Seccão Juvenil), foi aproveitado pelo clube como veículo de transmissão do sentimento freamundense.
Sempre frontal e sincero com todos, tinha um jeito natural para gerir jovens a quem soube incutir a querença desportiva.
| Equipa da Formação |
Como isto anda, deveria ser um claro motivo de inspiração para gerações actuais e vindouras.
Ora aqui estão relatos, histórias de encantar feitas de superação, humildade, espírito de sacrifício e solidariedade. Palavras que descrevem bem o carácter de Barbosa.
BEM HAJA.










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