quarta-feira, 28 de abril de 2021

ANSELMO MARQUES

 ANSELMO FERREIRA MARQUES



Conhecem-se desta interessante personalidade elementos soltos que, embora extremamente válidos, são esboços demasiado espaçados para compor uma biografia minimamente satisfatória, que retratasse com mais fidelidade o percurso singular de uma figura ímpar que Freamunde acolheu e abraçou.

FREAMUNDE, por quem sempre se bateu e entregou com total empenho e paixão ao longo de quarenta anos, aproximadamente.

Tornei-me, portanto, sensível a tudo isto, queria contar o que pudesse da sua "história", o que aconteceu com a preciosa colaboração de familiares e amigos da mesma geração.

Veio ao mundo com Neptuno, no dia 5 de Fevereiro de 1927, na freguesia de Meinedo, concelho de Lousada, o que lhe dava uma imagem de honestidade, seriedade, sonhador e criativo.

Filho de Manuel Ferreira Marques e Emília Pereira Garcês, já casado com Rita Ferreira da Silva Cardoso, que lhe deu quatro filhos (Miguel, Lucinda, "Locas" e Joaquim), aqui, desde muito jovem, viveu e desenvolveu actividade profissional na área da indústria de panificação, no lugar do Calvário, sucedendo a seu tio, Miguel Marques Leal, especialista no fabrico de pão de milho. Do género, só existia, a mil metros, a concorrência de Jorge Ferreira da Silva, em Leigal.

Homem de décadas difíceis mas nunca crente no destino fatal, arriscou e seguiu o seu instinto num percurso de obstinação e perseverança. Possuía uma disciplina e um rigor muito grandes, relativamente ao trabalho. Era viciado nele. Percurso recheado de êxito. Quando se semeia, colhe-se. Ganhou dinheiro, é certo, mas não gastou conforme recebeu. Foi um dos que olhou sempre para trás com o propósito de se virar para a frente.

Com todo o seu bairrismo, deu sempre solução aos problemas que lhe eram colocados, fosse nas festividades que por cá se realizavam, fosse nas actividades desportivas, associativas, políticas... Anselmo Marques serviu de bandeira a muitas causas. Louve-se a coragem de querer sempre manter um ímpeto criador.

Anselmo Marques foi o grande ( o principal, por que não dizê-lo?!) impulsionador pelo ressurgimento das "Sebastianas", em 1954, após alguns períodos de "hibernação". Festividades por si presididas nesse mesmo ano, situação que se repetiu em 1959 e 1966. Aqui, a Comissão criou um "vazio", de todo inesperado, por desinteresse ou incapacidade dos elementos eleitos, sendo Anselmo Marques (sempre Anselmo Marques!) a tábua de salvação de tão intricado problema, ao "criar" e incentivar a denominada "Comissão da Tasca do Viana", semanas antes da data prevista para a realização dos Festejos ao Santo Mártir. Que paixão!... Também em 1955 o executivo contou com a sua prestimosa colaboração. Nada lhe vergava a vontade. Nem a vida agitada servia de travão.


Rosto do programa das "Sebastianas" - 1954

Dedicado à causa desportiva, dispensou ao futebol, sobretudo às categorias mais jovens, todo o seu carinho e entusiasmo.

Apesar do crescimento clubista com o aumento de associados, as dificuldades económicas eram constantes. Tantas e tantas vezes Anselmo Marques devolveu a saúde financeira à Agremiação! Mais: as suas viaturas estiveram sempre disponíveis para o transporte da "rapaziada" do Carvalhal, a jogos e treinos. E não precisava de requisitar condutor. Ele mesmo desempenhava a missão, levantando-se às seis/sete da manhã de Sábado e Domingo para cumprimento da tarefa. Sem desfalecimentos.


Juniores do SCF - Anselmo Marques: 1º da esq. para drt.


Nos elencos directivos do Sport Clube de Freamunde desempenhou os seguintes cargos:

1954 - Vogal da Direcção

1962 - Vogal da Comissão Administrativa

1963 - Presidente da Direcção

1964 - Presidente da Comissão Administrativa

1967 - Presidente da Direcção

À gestão do Clube Recreativo também se dedicou, como membro da Assembleia Geral em 1960.

A própria Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Freamunde contou no seu seio com o contributo de Anselmo Marques como vogal directivo, no período de 1968 a 1972, o mesmo acontecendo na Associação de Socorros Mútuos Freamundense, onde exerceu vários lugares nos Orgãos Sociais em quinze períodos.

Atento e sempre protagonista quando solicitado, desiludido com os "projectos" apresentados nas diversas candidaturas partidárias às Autárquicas de 1976, "deu" o nome a uma lista de independentes que se apresentou a sufrágio. 

Como nunca foi verdadeiramente um "político" (apenas Tesoureiro da Junta entre 1955 a 1959), mesmo considerado personalidade chispante, o seu currículo não tem, nesse domínio, mancha que se veja.  Mas nunca "fugiu" das discussões, quando Freamunde estava em causa. Nunca se vergou. Teve coluna sempre direita e, sobretudo, carácter.

Mas, raios!, só possuía virtudes? Não, claro que não! Ninguém é perfeito. Era frontal e directo, se a isso se pode chamar... defeito. Anselmo Marques era mesmo um espírito indomável, crítico por natureza, nada sereno. Orgulhoso? Um pouco. De teimosas convicções? Sem dúvida. Mas também um homem bom, independente, de honra, coragem e afeição. De ar irónico, misturado com um sorriso delicado. A mão generosa e gratificante que gostava de servir. Não admitia, contudo, que calassem o homem, lhe roessem a corda ou o traíssem.

Sempre foi assim e assim morreu, subitamente, no dia 27 de Setembro de 1986, com 59 anos de idade. 

A CDU, através do seu legítimo representante na Assembleia de Freguesia de Freamunde, Albino Sousa Carneiro Silva, ao ser elucidado que a Terra perdera, e muito, com o desaparecimento de uma das suas mais destacadas figuras - ANSELMO FERREIRA MARQUES -, propôs, na sessão de Setembro de 2005, à Exmª. Assembleia, perpectuar um dos grandes impulsionadores da expansão e propaganda do Associativismo em Freamunde, concedendo o seu nome a uma Rua ou Praceta da cidade.

O desinteressado trabalho e a sua perspicácia laboral, o seu acendrado bairrismo (o que ele lutou por Freamunde!...), merecia de todos nós o reconhecimento que não lhe foi negado.

Assim aconteceu. ANSELMO FERREIRA MARQUES conquistou, por direito próprio, lugar de honra na toponímia local. 

Homenagem de Freamunde ao Homem "sempre nosso".





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